Baixo desempenho escolar pode estar ligado a problemas de visão
Educação

Baixo desempenho escolar pode estar ligado a problemas de visão

Baixo desempenho escolar pode estar ligado a problemas de visão

Crianças nem sempre percebem dificuldades para enxergar, o que pode atrasar o diagnóstico e comprometer o aprendizado e o desenvolvimento infantil

Crédito: Imagem de Drazen Zigic no Freepik

Com o retorno das aulas, pais e responsáveis voltam a observar mais de perto o desempenho escolar das crianças — e esse é um momento estratégico para ficar atento à saúde visual. Dificuldades para enxergar podem passar despercebidas na rotina, mas interferem diretamente na atenção, na aprendizagem e até na segurança dos pequenos.

Segundo a Dra. Juliane Coelho Ricciardi, oftalmologista do IOBH – Instituto de Olhos de Belo Horizonte, problemas de visão não corrigidos podem impactar o rendimento escolar de forma significativa. “A criança que não enxerga bem, especialmente o que está à distância, tende a ficar mais dispersa em sala de aula, o que afeta diretamente o aprendizado”, explica. Entre os sinais de alerta estão baixo desempenho escolar, desatenção frequente, aproximação excessiva de objetos ou da televisão e até um comportamento mais desastrado, com esbarrões constantes.

A médica chama atenção para o fato de que muitas crianças não percebem a própria dificuldade visual. “Isso acontece, principalmente, quando a baixa visão é unilateral. Com os dois olhos abertos, prevalece a visão do olho com melhor desempenho, o que pode mascarar o problema”, afirma. Quando não identificado no tempo adequado, esse quadro pode evoluir para a ambliopia, conhecida popularmente como ‘olho preguiçoso’, condição em que o olho afetado não desenvolve a visão corretamente.

A recomendação da Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica é que a primeira consulta oftalmológica aconteça entre os seis e os doze meses de vida. Depois disso, a avaliação deve ser anual, já que a criança nem sempre consegue relatar que está enxergando mal. “O diagnóstico tardio traz consequências a curto prazo, como queda no desempenho escolar e maior risco de acidentes domésticos, e, a longo prazo, pode comprometer de forma permanente o desenvolvimento visual”, alerta a especialista. O uso excessivo de telas, principalmente muito próximas ao rosto, também merece atenção, pois pode favorecer o desenvolvimento precoce da miopia.

Além da avaliação médica, especialistas destacam a importância de um acompanhamento integrado quando alterações visuais são identificadas ainda no início da vida escolar. Para a Dra. Aline Brandão, terapeuta ocupacional do IOBH – Instituto de Olhos de Belo Horizonte, com doutorado em Ciências Aplicadas à Cirurgia e à Oftalmologia, a visão tem papel central no desenvolvimento. “Mais de 80% do nosso aprendizado começa pela via visual. Quando uma alteração é diagnosticada cedo, é possível evitar ou minimizar impactos no desenvolvimento neuropsicomotor e no desempenho escolar”, explica.

Dificuldades visuais não identificadas podem, inclusive, ser confundidas com outros diagnósticos comportamentais. “A visão organiza os demais sentidos e é a principal porta de entrada das informações. A criança pode parecer desatenta, agitada, ter dificuldade para copiar do quadro, ler, manter a sequência do texto ou realizar atividades que exigem atenção visual. Tudo isso pode, inclusive, afetar a autoestima”, pontua a terapeuta.

No ambiente escolar, alguns comportamentos podem indicar a necessidade de uma avaliação oportuna, como levantar-se com frequência para se aproximar do quadro, dificuldade em seguir linhas na leitura, troca de letras, problemas para usar o caderno ou manter a atenção em atividades visuais. Quando essas alterações são identificadas no início da vida escolar, a terapia ocupacional atua para ajudar a criança a utilizar a visão de forma mais eficiente nas atividades do dia a dia. “Trabalhamos com estratégias específicas, orientações à escola e adaptações que favorecem o aprendizado, sempre com foco na funcionalidade e na autonomia”, detalha a Dra. Aline.

O acompanhamento interdisciplinar, desde o diagnóstico, contribui para o desenvolvimento global da criança. “O uso adequado da visão influencia o desenvolvimento motor, a aprendizagem, a comunicação, a interação social e a independência nas atividades diárias, no brincar e no lazer”, reforça a terapeuta. Para as especialistas do IOBH, a parceria entre família, escola, oftalmologista e terapeuta é fundamental para garantir um olhar atento e integral à saúde visual infantil.

Educação

Mais notícias da Categoria Educação

Mais de 13 mil alunos da rede municipal iniciam o ano letivo nesta quarta-feira (4)

Mais de 13 mil alunos da rede municipal iniciam o ano letivo nesta quarta-feira (4)

Portal Araxá 04/02/2026
Peso certo, costas saudáveis: especialistas dão dicas para escolher a mochila ideal para as crianças

Peso certo, costas saudáveis: especialistas dão dicas para escolher a mochila ideal para as crianças

Portal Araxá 26/01/2026
Encaminhamento para vagas remanescentes da rede de ensino começa amanhã (27)

Encaminhamento para vagas remanescentes da rede de ensino começa amanhã (27)

Portal Araxá 26/01/2026
Sisu 2026 ofertará 33,8 mil vagas em Minas Gerais

Sisu 2026 ofertará 33,8 mil vagas em Minas Gerais

Portal Araxá 14/01/2026
Prefeitura de Araxá empossa 76 novos aprovados no concurso público da Secretaria de Educação

Prefeitura de Araxá empossa 76 novos aprovados no concurso público da Secretaria de Educação

Portal Araxá 13/01/2026
Araxá recebe mais de R$ 9 milhões em recursos adicionais do FUNDEB

Araxá recebe mais de R$ 9 milhões em recursos adicionais do FUNDEB

Portal Araxá 13/01/2026