O eleitor tem direito à informação correta para decidir o futuro do país
A reta final de uma eleição presidencial deveria ser, acima de tudo, um momento de apresentação de propostas, comparação de projetos e debate sobre o futuro do Brasil. O horário eleitoral gratuito existe justamente para ampliar o acesso dos cidadãos às ideias dos candidatos e permitir que cada eleitor forme sua própria convicção de maneira livre e consciente.
Entretanto, o segundo turno das eleições de 2026 vem sendo marcado por uma estratégia de comunicação que merece atenção. Na avaliação de críticos da campanha petista, o candidato Luiz Inácio Lula da Silva e seus aliados têm concentrado parte significativa de sua comunicação eleitoral na tentativa de associar uma eventual vitória de seu adversário a riscos de perda ou interrupção de programas sociais.
O tema é particularmente sensível porque programas de transferência de renda alcançam milhões de brasileiros e, naturalmente, despertam preocupação entre seus beneficiários. Justamente por isso, informações relacionadas à continuidade, alteração ou financiamento dessas políticas públicas precisam ser apresentadas com responsabilidade, clareza e base documental — e não transformadas em instrumento de medo eleitoral.
Uma eleição presidencial não deveria ser uma escolha baseada em uma pergunta como: “Se você votar no adversário, vai perder seu benefício?”. A pergunta que o eleitor deveria estar fazendo é muito mais ampla: qual candidato apresenta o melhor projeto para manter e aperfeiçoar as políticas sociais, gerar empregos, controlar a inflação, melhorar a saúde e a educação, garantir segurança e promover o desenvolvimento econômico?
Programas sociais pertencem ao Estado, não a um partido
É importante lembrar que políticas públicas não pertencem pessoalmente a candidatos ou partidos políticos. Programas sociais são instituídos por legislação, possuem regras, orçamento e mecanismos administrativos próprios. Alterações podem ocorrer conforme decisões do Congresso Nacional, do Poder Executivo e a legislação vigente.
Por isso, qualquer afirmação de que determinada eleição automaticamente significará o fim de um programa social precisa ser analisada com rigor.
O eleitor, especialmente aquele que depende de uma política pública, merece saber o que efetivamente está previsto nos programas de governo, quais são as propostas dos candidatos e quais medidas concretas serão adotadas para garantir sua continuidade e aperfeiçoamento.
O papel do horário eleitoral
O horário eleitoral gratuito não deveria ser utilizado para transformar adversários políticos em ameaças permanentes ou para produzir uma atmosfera de medo entre os eleitores.
Seu propósito democrático é permitir que candidatos apresentem suas ideias, expliquem suas prioridades e sejam submetidos à comparação pública.
Críticas fazem parte da democracia. Ataques políticos também fazem parte de uma disputa eleitoral intensa, desde que respeitados os limites legais. O que não pode ser normalizado é a disseminação de informações falsas ou enganosas, independentemente de quem as produza.
Nesse contexto, também surgem críticas à atuação do deputado federal André Janones, conhecido por uma comunicação política particularmente combativa nas redes sociais. Seus adversários acusam sua atuação de contribuir para elevar a temperatura da disputa e para disseminar narrativas negativas contra o campo político adversário. Essas acusações, entretanto, devem ser analisadas caso a caso, distinguindo-se opinião, crítica política e informação comprovadamente falsa.
O eleitor não pode ser tratado como refém do medo
A democracia brasileira amadureceu o suficiente para que o eleitor seja tratado como cidadão capaz de avaliar diferentes projetos.
Quem recebe um benefício social não deve ser colocado diante de uma escolha emocional entre “votar em determinado candidato ou perder o benefício”. Deve receber informações sobre quem pretende financiar o programa, quanto pretende investir, quais mudanças propõe e como pretende melhorar sua eficiência.
O mesmo vale para todas as demais áreas.
O eleitor quer saber como os candidatos pretendem enfrentar a violência, reduzir filas na saúde, melhorar a educação, estimular o emprego, controlar gastos públicos, combater a corrupção, reduzir impostos e fazer o Brasil crescer.
É disso que deveria tratar uma eleição presidencial.
A disputa precisa voltar para o campo das ideias
A polarização brasileira já produziu uma das campanhas mais intensas das últimas décadas. O segundo turno não precisa transformar essa disputa em uma guerra política permanente.
Lula tem o direito de defender seu legado e apresentar suas propostas. Seus adversários têm exatamente o mesmo direito. O eleitor, por sua vez, tem o direito de ouvir os dois lados e decidir.
O voto não pertence ao candidato. Pertence ao eleitor.
Por isso, quanto mais próxima estiver a decisão das urnas, maior deve ser a responsabilidade dos candidatos, partidos, dirigentes e lideranças políticas com aquilo que divulgam.
O Brasil precisa de menos medo e mais informação. Menos demonização do adversário e mais comparação de propostas. Menos guerra de narrativas e mais transparência.
No final, a escolha deve ser feita pelo cidadão, não pelo medo de perder aquilo que já conquistou, mas pela esperança e pela convicção de qual projeto considera melhor para o futuro do país.







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