Dermatologista Gisele Basso, da Unimed Araxá explica os principais cuidados para evitar ressecamento, coceiras e inflamações na estação mais fria do ano.
Por Gisele Basso Esteves Pires médica dermatologista
Na minha rotina de atendimentos, ainda vejo diariamente inúmeras pessoas com problemas dermatológicos que poderiam ser evitados com cuidados adequados com a pele no inverno. Mas por que é sempre importante lembrar disso?
Durante o inverno, a umidade do ar em nossa região é muito baixa. Associada às temperaturas mais frias, essa condição reduz a transpiração corporal. Isso faz com que a pele fique mais seca. Em algumas pessoas, a consequência é descamação ou até pequenas rachaduras que, embora causem dor discreta, são interpretadas pelo organismo como coceira.
Começamos a coçar e, com isso, muitas vezes acabamos ferindo a pele, que, já ressecada, tem menor capacidade de se regenerar e se defender. Isso facilita infecções e disfunções imunológicas, resultando em dermatites, impetigo, erisipela, foliculites, furúnculos, micoses e agravamento de doenças pré-existentes, como psoríase ou dermatite atópica. Os extremos da vida — crianças e idosos — merecem atenção redobrada.
Mesmo pessoas sem doenças de pele devem adotar cuidados específicos. É importante evitar banhos muito quentes, que removem de forma intensa a oleosidade natural da pele, comprometendo a fina e necessária camada de gordura que retém sua umidade. O ideal é que o banho seja rápido, com água morna. Além disso, evite ensaboar-se em excesso e usar buchas, pois esses hábitos alteram o manto hidrolipídico (hidratante natural produzido pelo corpo).

Foto: Freepik
Óleos de banho ou sabonetes com tecnologia syndet, menos agressivos, tendem a ressecar menos a pele e são mais recomendados nessa época do ano. O hidratante deve ser aplicado logo após o banho — ainda no banheiro — enquanto o vapor facilita sua absorção.
Peles oleosas e acneicas também requerem atenção: deve-se evitar o uso de hidratantes comuns no rosto. Nesses casos, o ideal é optar por versões oil free nas áreas mais oleosas, como rosto e tórax. Os lábios também ressecam muito no inverno e precisam de produtos específicos para evitar rachaduras.
Os cabelos, por sua vez, sofrem com escovas e o uso frequente de secadores. Isso resseca os fios, exigindo hidratação reforçada com óleos de baixo peso molecular e produtos leave-in.
Outro ponto importante: muitas pessoas reduzem a ingestão de líquidos no frio. A Sociedade Brasileira de Dermatologia reforça que manter o corpo hidratado é essencial para conservar a saúde da pele. Um corpo hidratado apresenta pele mais macia e elástica. Para quem tem dificuldade em beber água nessa estação, chás claros ou de frutas são boas opções. Divida a ingestão diária recomendada — cerca de dois litros — entre água e chás.
Por fim, invista em uma alimentação equilibrada, rica em vitaminas e antioxidantes. A pele precisa de nutrientes específicos que nem sempre estão presentes em dietas muito restritivas. Frutas ricas em vitamina C — como morango, laranja, mexerica e limão (sempre consumidas logo após o corte ou o preparo, já que a vitamina C se oxida rapidamente) — devem estar presentes. Vegetais como brócolis, rico em cobre, e cenoura, fonte de betacaroteno (pró-vitamina A), também ajudam. Alimentos com boas fontes de proteína (carnes, ovos, leite) e gorduras saudáveis (azeite, castanhas, nozes e amêndoas, ricos em vitamina E e selênio) são aliados importantes para manter a pele bonita e saudável.
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