Em uma medida que ressalta um novo endurecimento da política migratória americana, o governo dos Estados Unidos anunciou a suspensão do processamento de vistos para cidadãos do Brasil e de outros 74 países, a partir de 21 de janeiro de 2026, sem previsão de término. A decisão foi relatada por diversas agências internacionais com base em um memorando interno do Departamento de Estado dos EUA, ao qual veículos como Fox News e Reuters tiveram acesso.
O Departamento de Estado orientou as embaixadas e consulados americanos a recusar novos pedidos de visto com base nas leis vigentes, enquanto revisa e reavalia seus procedimentos de triagem e verificação dos solicitantes. Entre os países afetados, além do Brasil, estão na lista Somália, Rússia, Irã, Afeganistão, Nigéria, Tailândia e diversas nações da África, Ásia e Oriente Médio.
Autoridades norte-americanas justificaram a paralisação como parte de um esforço para restringir a entrada de pessoas consideradas propensas a se tornarem um “encargo público” (public charge), ou seja, dependentes de benefícios sociais após a entrada no país — um conceito que alimenta iniciativas de controle migratório mais rígidas sob o atual governo.
Contexto político e repercussões
A suspensão total do processamento de vistos representa uma escalada nas políticas fronteiriças americanas, que já vinha implementando regras mais severas sobre imigração e entrada de estrangeiros desde o início da gestão do presidente Donald Trump no início de 2025. Analistas observam que a medida amplia uma tendência de restrição unilateral em um momento de tensões geopolíticas crescentes e debates acirrados sobre imigração nos Estados Unidos.
Para especialistas em relações internacionais, essa ação sinaliza um retrocesso nas práticas consulares tradicionais, que historicamente equilibravam objetivos de segurança com facilitação de intercâmbio cultural, acadêmico, científico e econômico. A suspensão indeterminada pode ser vista como um instrumento de pressões políticas internas, ao mesmo tempo em que afeta diretamente a imagem dos EUA como destino aberto para viajantes e profissionais estrangeiros.
Impactos econômicos e sociais para o Brasil
A suspensão terá efeitos profundos para brasileiros que planejam viagens aos Estados Unidos, incluindo turismo, estudos, negócios e visitas familiares. Entre os principais prejuízos estão:
1. Turismo e serviços associados
O turismo brasileiro aos EUA — responsável por gasto significativo de estrangeiros no mercado americano — sofrerá uma imediata retração. Agências de viagens, companhias aéreas e a hotelaria poderão registrar cancelamentos em massa, comprometendo receitas importantes no início da temporada de viagens.
2. Educação e intercâmbio
Estudantes brasileiros enfrentam incerteza quanto à obtenção de vistos para cursos de curta e longa duração, programas de intercâmbio e estágios nos EUA, colocando em risco planos acadêmicos e acordos entre universidades dos dois países.
3. Comércio e relações empresariais
Empresários que dependem de deslocamentos para negociações, feiras, conferências ou expansão de negócios poderão ver oportunidades prejudicadas ou adiadas por tempo indefinido, enfraquecendo parcerias bilaterais e projetos conjuntos.
4. Relações diplomáticas
Do ponto de vista geopolítico, a medida pode ser interpretada como uma retaliação comercial e política, gerando desconforto no Itamaraty e reacendendo debates sobre reciprocidade e soberania nos mecanismos de vistos. Para Brasília, a suspensão unilateral sem diálogo prévio compromete a confiança entre os dois governos.
Cenário regional e global
A inclusão de países de diferentes continentes no pacote de suspensão, muitos dos quais já enfrentam desafios humanitários, econômicos e conflitos, amplia o impacto global dessa decisão norte-americana. Para analistas de geopolítica, os Estados Unidos intensificam um padrão de políticas que priorizam segurança interna e controle migratório em detrimento de parcerias multilaterais e de facilitação de mobilidade internacional.
A suspensão do processamento de vistos dos EUA para o Brasil e dezenas de outras nações marca um ponto crítico nas relações internacionais e na mobilidade global. Além de gerar prejuízos diretos para cidadãos, estudantes e empresas brasileiras, a medida reflete uma mudança profunda na estratégia migratória americana, com possíveis repercussões duradouras nas relações bilaterais e na percepção internacional dos Estados Unidos como destino. A comunidade global e os governos afetados monitoram de perto os desdobramentos dessa política, que já entrou em vigor sem data definida para sua revogação.
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