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Araxá perde sua cadeira na Assembleia por apenas 200 votos: projetos pessoais e o ego custaram caro à região
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Araxá perde sua cadeira na Assembleia por apenas 200 votos: projetos pessoais e o ego custaram caro à região

Araxá perde sua cadeira na Assembleia por apenas 200 votos: projetos pessoais e o ego custaram caro à região

Bosco termina eleição com 72.056 votos, mas fica fora da Assembleia Legislativa por uma diferença de apenas 200 votos. Para Araxá, o resultado representa mais do que uma derrota eleitoral: representa a perda de uma representação política construída ao longo de anos.

A política mineira amanheceu nesta segunda-feira (5) com uma reviravolta que tem um significado muito maior para Araxá do que simplesmente a não reeleição de um deputado estadual.

Bosco (PSD) ficou fora da Assembleia Legislativa de Minas Gerais por apenas 200 votos. O parlamentar terminou a apuração com 72.056 votos, enquanto Tito Torres, também do PSD, alcançou 72.256 votos, garantindo a última cadeira em disputa pela legenda.

A diferença é mínima diante da dimensão da eleição: 200 votos decidiram quem ocupará uma cadeira na Assembleia Legislativa a partir de 2027.

Mas, para Araxá, a pergunta que fica não é apenas quem ganhou ou quem perdeu uma eleição.

A pergunta é: quem perdeu com esse resultado?

E a resposta precisa ser direta: não foi apenas Bosco. Quem perdeu foi Araxá e toda a região.

A política dos projetos pessoais

É preciso reconhecer que todo cidadão tem o direito constitucional de disputar uma eleição. Candidaturas fazem parte da democracia e qualquer eleitor tem liberdade para escolher quem deseja representar seus interesses.

Mas democracia também exige responsabilidade política, maturidade e visão coletiva.

E é justamente nesse ponto que o resultado eleitoral de 2026 merece uma reflexão.

Araxá teve candidatos que, diante de uma disputa extremamente apertada, apresentaram projetos pessoais e interesses eleitorais próprios, mesmo sem reunir condições concretas de alcançar uma votação capaz de conquistar uma cadeira na Assembleia.

O problema não está em disputar uma eleição.

O problema está em disputar uma eleição sem avaliar o impacto que uma candidatura pode produzir sobre a representação política de uma cidade inteira.

Quando votos fundamentais são pulverizados entre candidaturas locais sem viabilidade eleitoral, o resultado pode ser exatamente o que Araxá está vivendo agora: uma cidade que tinha um representante com mais de 72 mil votos e que, por uma diferença de apenas 200 votos, ficará sem deputado estadual a partir de 2027.

O ego pode custar caro para uma cidade

Em uma eleição proporcional, cada voto tem peso. E quando uma cidade possui um candidato competitivo, com estrutura política, histórico de atuação e capacidade comprovada de alcançar uma votação estadual expressiva, a fragmentação do eleitorado pode produzir consequências que ultrapassam os interesses individuais dos candidatos.

É nesse contexto que surge uma palavra incômoda, mas necessária: ego.

O ego político, quando colocado acima dos interesses coletivos, pode custar caro.

Candidaturas podem nascer de projetos legítimos, mas também podem ser impulsionadas pelo desejo pessoal de ocupar um espaço político, marcar posição ou simplesmente participar de uma disputa eleitoral.

Entretanto, quando essas candidaturas retiram votos decisivos de um nome com reais possibilidades de eleição, é preciso discutir o impacto dessa escolha.

Bosco não perdeu por milhares de votos. Perdeu por 200.

E essa diferença torna o resultado ainda mais simbólico.

Araxá deu 24.526 votos a Bosco

Na cidade onde Bosco nasceu e construiu sua trajetória política, foram 24.526 votos destinados ao deputado.

Mesmo com essa votação expressiva em sua principal base eleitoral, o resultado estadual não foi suficiente para garantir a permanência do parlamentar na Assembleia.

Bosco terminou a eleição com 72.056 votos em todo o Estado, enquanto Tito Torres alcançou 72.256.

A diferença de apenas 200 votos definiu a última cadeira do PSD.

Candidato Partido Votos
Tito Torres PSD 72.256
Bosco PSD 72.056
Diferença 200 votos

A cadeira de Araxá

Bosco não era apenas mais um candidato na disputa.

Ao longo de sua trajetória parlamentar, construiu uma relação política com Araxá e com municípios da região, participando de articulações e buscando recursos para diferentes áreas, entre elas saúde, infraestrutura, educação e desenvolvimento regional.

Independentemente de posicionamentos políticos ou ideológicos, a presença de um deputado estadual identificado com Araxá significa ter alguém dentro da Assembleia Legislativa com conhecimento das demandas locais e acesso institucional para defendê-las.

A partir de 2027, esse espaço estará vazio.

E essa é a consequência que deveria preocupar a cidade.

Araxá não terá um deputado estadual eleito pelo município.

A conta chega para todos

O resultado de 2026 deveria servir como aprendizado para a classe política local.

Não se trata de impedir candidaturas ou de retirar de qualquer cidadão o direito de disputar uma eleição.

Trata-se de compreender que política também é estratégia, responsabilidade e capacidade de pensar além dos interesses individuais.

Uma cidade como Araxá, que possui importância econômica e regional, precisa de representação política proporcional à sua relevância.

Quando essa representação é perdida por apenas 200 votos, não é possível olhar para o resultado apenas como uma derrota pessoal de um candidato.

É necessário olhar para o conjunto.

Quantos votos foram pulverizados?

Quantos votos poderiam ter feito a diferença?

Quantas candidaturas foram construídas pensando no projeto coletivo e quantas foram construídas a partir de projetos pessoais?

São perguntas que a sociedade araxaense terá de responder.

Araxá perde

A eleição terminou e o resultado democrático precisa ser respeitado.

Tito Torres conquistou sua vaga. Bosco encerra a disputa com uma votação expressiva de 72.056 votos. Os eleitores exerceram livremente seu direito de escolha.

Mas uma análise política responsável não pode ignorar o fato de que 200 votos separaram Araxá de continuar tendo um representante direto na Assembleia Legislativa.

O episódio deixa uma mensagem clara para o futuro: quando uma cidade divide excessivamente seus votos entre candidaturas sem viabilidade eleitoral, pode acabar sem nenhuma representação.

E talvez essa seja a principal lição da eleição de 2026.

Quem perdeu não foi somente o deputado Bosco.

Quem perdeu foi Araxá.

Quem perdeu foi a região.

A partir de 2027, a cidade terá que buscar novos caminhos para garantir que suas demandas sejam ouvidas em Belo Horizonte.

E, talvez, o maior desafio seja transformar essa derrota em aprendizado: menos projetos pessoais, menos ego político e mais capacidade de construir uma estratégia coletiva em defesa de Araxá e do Alto Paranaíba.

Porque eleição passa.

Mas a falta de representação permanece por quatro anos.

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