Mercado Imobiliário | Planejamento, crédito e novas estratégias de compra
Consórcio imobiliário ganha protagonismo em cenário de juros elevados
Dados recentes da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC) confirmam a consolidação do consórcio imobiliário como uma das principais alternativas de acesso ao mercado de imóveis no Brasil. Entre 2020 e 2025, as vendas de cotas cresceram quase 300%, refletindo uma mudança significativa no comportamento do consumidor. No acumulado dos últimos 20 anos, desde 2005, cerca de 1,55 milhão de consorciados foram contemplados, viabilizando a aquisição de imóveis destinados à moradia, negócios ou investimento.
O avanço da modalidade ocorre em paralelo a um cenário econômico marcado por juros elevados e maior seletividade do crédito tradicional. Nesse contexto, o consórcio passa a ser visto não apenas como opção, mas como estratégia de planejamento financeiro de médio e longo prazo, especialmente por compradores que buscam evitar o custo dos financiamentos imobiliários.
Minas Gerais acompanha — e reforça — a tendência nacional
Em Minas Gerais, o movimento é ainda mais expressivo. O estado responde por quase 10% do volume total de cotas de consórcio de imóveis comercializadas no país, consolidando-se como um dos mercados mais relevantes da modalidade. A performance acompanha a tendência nacional, mas também reflete características locais: crescimento urbano contínuo, interiorização do desenvolvimento e um perfil de consumidor cada vez mais atento ao planejamento patrimonial.
Segundo dados do Sindicato dos Corretores de Imóveis de Minas Gerais (Sindimóveis), o mercado imobiliário mineiro encerrou 2025 com alta aproximada de 20% nas vendas, superando as expectativas iniciais do setor. O resultado indica resiliência e retomada gradual da confiança, mesmo com o crédito bancário ainda pressionado por taxas elevadas.
Planejamento substitui a pressa
Com financiamentos mais caros, o comprador mineiro tem adotado uma postura mais cautelosa. A decisão de compra passou a ser precedida por planejamento financeiro detalhado, comparação de modalidades de crédito e análise do impacto de juros no longo prazo. Nesse ambiente, o consórcio imobiliário ganha espaço por permitir a formação de patrimônio sem incidência de juros, apenas com taxa de administração.
Essa mudança ajuda a explicar por que o consórcio deixou de ser percebido como alternativa secundária e passou a ocupar papel central na estratégia de aquisição de imóveis em Minas Gerais.
Números positivos no setor
A Ademicon, maior administradora independente de consórcios do Brasil em créditos ativos, acompanha esse movimento de expansão no estado. Em 2025, a produção da companhia em consórcio de imóveis em Minas Gerais atingiu R$ 2,8 bilhões, crescimento de 131% em relação aos R$ 1,2 bilhão registrados em 2024. O desempenho reforça o apetite do mercado por soluções financeiras mais previsíveis e alinhadas ao planejamento de longo prazo.
Diante desse cenário, sugerimos uma entrevista com Rafael Kovalski, desenvolvedor regional da Ademicon em Minas Gerais, para comentar como o ambiente de juros elevados tem impulsionado a busca dos mineiros pelo consórcio imobiliário como alternativa estratégica para aquisição de bens e construção patrimonial.
O que é consórcio imobiliário?
O consórcio imobiliário é uma modalidade de compra baseada na união de pessoas físicas ou jurídicas em um grupo, com o objetivo comum de adquirir um bem. Cada participante contribui mensalmente com parcelas, formando um fundo coletivo. Periodicamente, os integrantes são contemplados por sorteio ou lance e recebem uma carta de crédito para aquisição do imóvel.
Diferentemente do financiamento, não há cobrança de juros. O custo da operação se concentra na taxa de administração e em eventuais fundos de reserva.
Principais vantagens
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Ausência de juros: reduz significativamente o custo final do imóvel.
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Planejamento financeiro: parcelas previsíveis e adequadas ao orçamento.
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Flexibilidade de uso: a carta de crédito pode ser usada para compra, construção ou até quitação de imóvel.
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Poder de negociação: a carta de crédito equivale a pagamento à vista.
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Alternativa em juros altos: especialmente atrativa quando o crédito bancário está caro.
Pontos de atenção (pontos fracos)
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Não é imediato: não há garantia de contemplação rápida.
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Exige disciplina financeira: inadimplência pode gerar exclusão do grupo.
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Taxa de administração: embora menor que juros, é um custo a ser considerado.
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Dependência do grupo: a dinâmica do consórcio depende da saúde financeira coletiva.

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