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Fake news não é estratégia eleitoral: é um ataque ao direito de escolha do eleitor
Política

Fake news não é estratégia eleitoral: é um ataque ao direito de escolha do eleitor

Fake news não é estratégia eleitoral: é um ataque ao direito de escolha do eleitor

Segundo turno começa sob o alerta da desinformação; eleitor precisa redobrar os cuidados antes de compartilhar conteúdos nas redes sociais

O segundo turno das eleições começa, e com ele aumenta também uma preocupação que já se tornou recorrente nos processos eleitorais brasileiros: a disseminação de notícias falsas, conteúdos manipulados, ataques pessoais e informações fora de contexto com o objetivo de influenciar a decisão do eleitor.

Seja de direita ou de esquerda, não existe justificativa democrática para transformar a mentira em instrumento de campanha.

Neste início de segundo turno, as redes sociais já registram uma verdadeira avalanche de conteúdos políticos, muitos deles apresentados como fatos, mas que precisam ser cuidadosamente conferidos antes de serem compartilhados. A disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o candidato Jair Bolsonaro (PL) promete ser acirrada, e justamente por isso o eleitor precisa estar ainda mais atento.

É legítimo que partidos e candidatos apresentem suas estratégias eleitorais, façam críticas aos adversários e tentem conquistar votos. O que não pode ser considerado normal é a utilização sistemática do medo, da manipulação e da mentira como ferramentas para convencer o eleitor.

Nos últimos dias, também ganharam repercussão conteúdos atribuídos a setores da campanha petista e materiais apresentados como estratégias para enfrentar a vantagem eleitoral de Bolsonaro. Independentemente da autenticidade, da origem ou da interpretação desses documentos, qualquer informação dessa natureza precisa passar pelo crivo da checagem antes de ser transformada em verdade nas redes sociais.

O mesmo cuidado deve valer para conteúdos produzidos ou compartilhados por apoiadores de Bolsonaro. Fake news não tem ideologia. Mentira continua sendo mentira, venha de quem vier.

O perigo da política transformada em guerra

Outro ponto que merece atenção é a transformação do debate eleitoral em uma espécie de guerra permanente nas redes sociais.

Parlamentares, influenciadores, militantes e grupos organizados passaram a utilizar aplicativos de mensagens para mobilizar apoiadores, distribuir conteúdos e reagir rapidamente às declarações dos adversários. O WhatsApp, Telegram, Instagram, TikTok e outras plataformas se transformaram em importantes ferramentas eleitorais.

A mobilização política é legítima.

O problema começa quando ela passa a ser utilizada para perseguir, humilhar, ameaçar ou difamar pessoas simplesmente porque pensam de maneira diferente.

Episódios envolvendo parlamentares e grupos políticos nas redes sociais, inclusive com acusações e decisões judiciais relacionadas à disseminação de informações falsas, mostram que essa fronteira já foi ultrapassada em diferentes momentos da política brasileira. É preciso, porém, que toda acusação seja analisada com responsabilidade e baseada em fatos comprováveis, e não em novas versões de fake news.

A democracia não pode funcionar como uma torcida organizada em que o adversário precisa ser destruído.

E se isso já começou agora?

A pergunta que fica é inevitável: se a guerra de narrativas e a disseminação de conteúdos duvidosos já ganharam força no início do segundo turno, o que poderá acontecer quando a eleição chegar à reta final?

A tendência é de que a disputa fique ainda mais intensa.

Por isso, o eleitor precisa assumir um papel fundamental: não ser instrumento da desinformação.

Antes de encaminhar aquele vídeo alarmante no grupo da família, antes de compartilhar uma publicação contra determinado candidato ou antes de acreditar em uma suposta declaração atribuída a um político, é preciso parar e perguntar:

De onde veio essa informação? Quem publicou? Existe outra fonte confiável confirmando? O vídeo está completo ou foi retirado de contexto? Algum veículo profissional ou agência de checagem confirmou a informação?

Cinco minutos de verificação podem evitar milhares de compartilhamentos de uma mentira.

O voto pertence ao eleitor

A eleição não pertence aos partidos. Não pertence aos candidatos. E muito menos aos administradores de grupos de WhatsApp.

O voto pertence ao cidadão.

É o eleitor quem deve decidir em quem votar, analisando propostas, histórico, resultados, posicionamentos e argumentos apresentados durante a campanha.

O debate político precisa ser duro quando necessário, mas deve permanecer dentro dos limites da civilidade e da verdade.

É perfeitamente democrático discordar. É democrático criticar. É democrático mudar de opinião. É democrático votar em Lula, Bolsonaro ou em qualquer outro candidato.

O que não é democrático é tentar impedir o outro de pensar.

Nesta eleição, talvez uma das maiores demonstrações de cidadania seja justamente aprender a não compartilhar aquilo que não temos certeza de que é verdadeiro.

O eleitor brasileiro precisa acompanhar os debates, ouvir os candidatos, comparar propostas, pesquisar os fatos e exercer sua liberdade de escolha.

Porque, no final, a melhor resposta à desinformação não é outra mentira. É informação.

E numa democracia, nenhuma campanha eleitoral deveria ter mais força do que a consciência de um eleitor bem informado.

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