Eleito melhor degustador de queijos do Brasil, Frederico Divino Dias amplia a autoridade e a participação em espaços de divulgação do setor
Uma conversa entre amigos ajudou o professor universitário Frederico Divino Dias, de Belo Horizonte, a perceber o tamanho da repercussão de uma conquista que, até então, parecia restrita ao universo dos queijos. Cerca de um mês depois de ser eleito o melhor degustador nacional na ExpoQueijo Brasil, ele ouviu de uma amiga que um mineiro havia vencido a primeira edição do The Best Brazilian Cheese Taster. Ela ainda não sabia que o especialista em questão era Frederico. “Eu e os amigos mais próximos começamos a rir muito, e ela ficou perdida, sem entender o que estava acontecendo”, lembra. Só então os amigos revelaram que o vencedor estava à mesa.
A história, contada pelo próprio professor, traduz a mudança. O título, além de reconhecer a capacidade técnica como avaliador, ampliou a visibilidade e abriu espaço para que Frederico passasse a falar mais sobre o produto que já fazia parte de sua trajetória acadêmica e profissional. “Vieram convites para entrevistas, participações em rádios, jornais e redes sociais, além de novas oportunidades para tratar de temas como Queijo Minas Artesanal, queijos de leite cru, maturação e características sensoriais”, disse.
A conquista ocorreu durante a primeira edição do The Best Brazilian Cheese Taster, realizada em 27 de junho, dentro da programação da ExpoQueijo Brasil. A disputa foi em meio a uma edição que reuniu mil queijos de 19 países e mais de 200 jurados brasileiros e estrangeiros. A prova testou conhecimentos teóricos, capacidade de análise sensorial e precisão na avaliação dos produtos.
Na etapa final, os concorrentes foram avaliados por uma banca de especialistas que incluiu a italiana Valentina Bergamin, reconhecida como melhor jurada de queijos da Itália. “Foi um processo muito bom, muito interessante e muito puxado. Tivemos uma avaliação muito intensa e uma comissão que ficou ali pegando bastante no nosso pé, o que foi muito bom para mim”, destacou Frederico, que foi convidado em 2026 para integrar pela primeira vez o corpo de jurados da ExpoQueijo.
Um título que abriu novas portas
Antes mesmo da competição, Frederico já mantinha uma relação profissional com o queijo. Há mais de cinco anos, trabalha com o Queijo Minas Artesanal na universidade onde leciona, na área de alimentação e gastronomia, além de desenvolver projetos relacionados ao produto.
O reconhecimento obtido em Araxá acrescentou uma nova dimensão a esse trabalho. Segundo ele, o título trouxe mais autoridade para falar sobre um alimento que ultrapassa a dimensão gastronômica e envolve aspectos culturais, econômicos e sociais.
“Como professor universitário, dentro da área da alimentação, cuidando da gastronomia e trabalhando projetos que falam sobre o queijo, pude ter esse peso ainda maior, essa credibilidade ainda maior que a ExpoQueijo me deu de poder levantar a bandeira do nosso queijo e falar dele para o Brasil inteiro e, quem sabe, pelo mundo”, afirmou.
A repercussão também permitiu que Frederico abordasse questões que fazem parte do cotidiano de produtores e consumidores, como os fatores que influenciam a qualidade de um queijo, os processos de degustação e de produção e as características que podem ser aprimoradas para alcançar um produto de excelência. “Essa premiação me conferiu a autoridade de poder falar sobre o queijo, de poder ser convidado para explicar um pouquinho como é o processo, como é a degustação, como é a produção, o que pesa no queijo, o que faz o queijo ser bom e o que faz um queijo poder ter melhorias para ficar um queijo excelente”, disse.
Para Frederico, esse espaço conquistado depois do prêmio também significa a possibilidade de ampliar a discussão sobre a importância do queijo artesanal brasileiro. Ao falar sobre o produto, ele passou a colocar em evidência não apenas as características sensoriais dos queijos, mas toda a cadeia envolvida na produção. “É importante tratarmos mais sobre o assunto pensando inclusive na questão cultural do nosso país, na questão econômica, na questão da valorização do pequeno produtor, da agricultura familiar e de toda uma cadeia produtiva que está por trás”, afirmou.








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