Carnaval ou palanque? Homenagem a Lula termina em rebaixamento e amplia desgaste político
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Carnaval ou palanque? Homenagem a Lula termina em rebaixamento e amplia desgaste político

Carnaval ou palanque? Homenagem a Lula termina em rebaixamento e amplia desgaste político

O que era para ser um desfile histórico na estreia da Acadêmicos de Niterói no Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro terminou em um retumbante fracasso artístico, operacional e, sobretudo, político. A escola, que levou para a Marquês de Sapucaí o enredo “Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, foi rebaixada após ficar em último lugar na apuração realizada nesta quarta-feira (18). Recebeu apenas duas notas 10 em todos os quesitos e acumulou falhas que comprometeram sua permanência na elite do samba.

A proposta da agremiação era narrar a trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, da infância no agreste pernambucano à Presidência da República, passando pela migração para São Paulo, o trabalho como torneiro mecânico e a liderança sindical. Na avenida, a comissão de frente encenou a rampa do Palácio do Planalto, em alusão à última posse presidencial, com representações de integrantes da sociedade civil e personagens como o ministro do STF Alexandre de Moraes e os ex-presidentes Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro.

O desfile, no entanto, foi marcado por forte teor político-partidário. Alegorias trouxeram críticas explícitas ao governo Bolsonaro e referências à pandemia de Covid-19, além de uma menção à prisão do ex-presidente. O tom militante provocou reações nas redes sociais e questionamentos jurídicos antes mesmo da escola entrar na avenida. Há notícias de que o enredo ainda será alvo de ações na Justiça comum e na esfera eleitoral, sob a alegação de promoção político-partidária em espaço cultural financiado com recursos públicos e privados.

Problemas técnicos e desorganização

Se o conteúdo dividiu opiniões, a execução comprometeu o resultado. A escola enfrentou sérios problemas na dispersão: alegorias ficaram presas na saída da avenida, houve correria no encerramento e parte da estrutura permaneceu no local após o término do desfile. A Imperatriz, que desfilou na sequência, alegou ter sido prejudicada pelo atraso.

No julgamento técnico, as falhas pesaram. A estreia no Grupo Especial exigia precisão cirúrgica, algo que não se confirmou. O resultado foi implacável: último lugar e rebaixamento imediato.

Reprodução

O tiro que saiu pela culatra

Para analistas políticos ouvidos pela reportagem, o episódio ultrapassa os limites da Sapucaí. A tentativa de transformar o maior espetáculo popular do país em vitrine de exaltação governamental teria produzido efeito reverso.

“Em um momento de polarização intensa e desgaste econômico, associar o carnaval a uma narrativa oficial pode reforçar a rejeição entre eleitores já críticos. O desfile ampliou a percepção de uso político de espaços culturais e aumentou o desgaste do governo federal”, avalia um cientista político especializado em comportamento eleitoral.

Levantamentos recentes de opinião pública já indicavam oscilação negativa na avaliação do governo. Nas redes sociais, a repercussão do desfile foi majoritariamente crítica fora dos círculos simpáticos ao presidente. Termos como “palanque na Sapucaí” e “propaganda política” figuraram entre os assuntos mais comentados.

Cultura e política: limites cada vez mais tênues

O carnaval historicamente dialoga com temas sociais e políticos. Escolas de samba sempre abordaram personagens públicos e episódios históricos. A diferença, apontam especialistas, está no timing e na intensidade da abordagem. Em um ambiente de alta sensibilidade política, a linha entre crítica social e promoção governamental torna-se mais estreita, e mais arriscada.

Nos bastidores, integrantes da própria escola admitem que a aposta foi ousada. A estreia na elite exigia foco total na excelência técnica. O enredo, no entanto, trouxe um componente de disputa ideológica que acabou ofuscando a performance artística.

A máxima de que “a arrogância precede a queda” ganhou eco entre críticos do desfile. O que se pretendia como celebração de uma trajetória política terminou como símbolo de desgaste. No tabuleiro político, a Sapucaí mostrou que nem sempre o espetáculo garante aplausos, e que, quando a avenida vira palanque, o julgamento pode ser ainda mais severo.

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