O desfile da Acadêmicos de Niterói, financiado com dinheiro público, não foi apenas uma celebração cultural: tornou-se um verdadeiro atentado à democracia. Com R$ 1 milhão de verba federal, a escola transformou o Carnaval em palanque político, exaltando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e omitindo deliberadamente os escândalos que marcaram os governos do PT, como o caso Banco Master, a Operação Lava Jato e os desvios no INSS.
Mais grave ainda foi a escolha de símbolos e alegorias que atacaram diretamente a diversidade religiosa. Cristãos e evangélicos foram representados dentro de latas de lixo, em uma clara mensagem de desrespeito e intolerância. O que deveria ser um espaço de celebração plural da cultura brasileira foi convertido em palco de exclusão e afronta à liberdade de crença, um direito constitucional.
As instituições, ao permitirem esse desfile, falharam em proteger o equilíbrio democrático. O TSE, ao rejeitar a liminar contra o samba-enredo, ignorou os sinais evidentes de propaganda eleitoral antecipada. O TCU, ao manter os repasses, fechou os olhos para o uso indevido de recursos públicos. E a Justiça Federal, ao rejeitar ações populares sem análise de mérito, reforçou a sensação de impunidade.
Comparações que revelam a gravidade
Em anos anteriores, políticos foram punidos por muito menos:
- Um simples outdoor de aniversário foi considerado propaganda antecipada e resultou em multa.
- A distribuição de panfletos com mensagens de apoio, sem pedido explícito de voto, foi enquadrada como crime eleitoral.
- Vídeos em redes sociais exaltando realizações pessoais foram considerados propaganda irregular.
Se nesses casos houve punição, como justificar que um desfile transmitido nacionalmente, com milhões de espectadores, financiado por verba pública e recheado de mensagens políticas, seja tratado com complacência?
Cultura criminosa
O que se viu na Sapucaí foi mais do que um desfile: foi a institucionalização de uma cultura criminosa, que usa a arte como disfarce para propaganda política e ataque à diversidade religiosa. Um abre-alas que não celebra, mas segrega. Uma dispersão que não encerra, mas escancara o abuso.
A pergunta que ecoa é contundente: até quando o Brasil permitirá que o crime compense?

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