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Caminhada pela Justiça e Liberdade expõe reação da direita aos excessos institucionais e ao desgaste do governo
Política

Caminhada pela Justiça e Liberdade expõe reação da direita aos excessos institucionais e ao desgaste do governo

Caminhada pela Justiça e Liberdade expõe reação da direita aos excessos institucionais e ao desgaste do governo

Uma marcha de quase 240 quilômetros entre Paracatu (MG) e Brasília passou a simbolizar, nesta semana, o novo momento de mobilização da direita brasileira. Convocada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), a “Caminhada Pela Justiça e Liberdade” reúne parlamentares, lideranças políticas e cidadãos comuns em um protesto pacífico contra o que classificam como abusos do Supremo Tribunal Federal (STF) e o agravamento do desgaste político do atual governo federal, cercado por crises recorrentes, denúncias e escândalos administrativos.

O ato teve início na segunda-feira (19/1) e segue pela BR-040, com chegada prevista à capital federal no fim de semana. A proposta, segundo Nikolas, é chamar a atenção da população brasileira para decisões judiciais consideradas desproporcionais, especialmente aquelas relacionadas aos desdobramentos dos atos de 8 de janeiro de 2023, além do ambiente de insegurança jurídica que, na avaliação de críticos, afasta investimentos, enfraquece a democracia e sufoca a liberdade de expressão.

“É um gesto simbólico, mas profundamente político”, avaliam aliados do parlamentar. Em um cenário que muitos classificam como de cansaço moral da nação, a caminhada surge como resposta à sensação de impotência de parte expressiva da sociedade diante da concentração de poder no Judiciário e da incapacidade do governo Lula de oferecer estabilidade, crescimento econômico e respeito às garantias individuais.

Reprodução/Instagram

O ex-procurador da República Deltan Dallagnol elogiou a iniciativa e destacou seu potencial mobilizador. Para ele, a caminhada rompe com a paralisia que se instalou entre conservadores e liberais após uma série de derrotas institucionais. “Mesmo em um cenário de terra arrasada, alguém decidiu agir. O apoio popular que surge ao longo do caminho mostra que essa pauta ecoa no sentimento das pessoas”, afirmou.

Entre os participantes confirmados estão o deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO), o ex-vereador Fernando Holiday, Carlos Bolsonaro (PL), além de outras lideranças que vêm se somando ao longo do trajeto. O manifesto divulgado pelos organizadores denuncia o que chama de “o triunfo do mal sem consequências” e reforça a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, bem como a bandeira da anistia para manifestantes condenados após os atos de 2023 — tema que ganhou ainda mais força no Congresso com a intensificação da ofensiva judicial contra lideranças da direita.

O escritor Francisco Escorsim observa que a caminhada tem um significado particular para o campo conservador. “A direita brasileira foi empurrada para a defensiva, acuada pelo medo de retaliações. Esse ato quebra o silêncio e sinaliza que ainda há disposição para resistir dentro da legalidade”, analisa.

A mobilização cresce a cada dia. Parlamentares e vereadores alinhados ao bolsonarismo utilizam as redes sociais para declarar apoio e anunciar participação, como o vereador goianiense Major Vitor Hugo e lideranças do PL em diferentes estados. A expectativa é de que a chegada a Brasília seja marcada por discursos duros, novos atos públicos e pressão política sobre o Congresso Nacional.

Em um momento de fragilidade institucional, inflação persistente, aumento do gasto público e sucessivos episódios que desgastam a imagem do governo no Brasil e no exterior, a caminhada liderada por Nikolas Ferreira busca se consolidar como um marco da reorganização da direita. Mais do que um protesto, o ato pretende reacender o debate sobre limites entre os Poderes, respeito à Constituição e o futuro da democracia brasileira.

CDK – Permuta
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