Analista de Sistemas no UNIARAXÁ, Analista de Mídias Sociais, Desenvolvedor de Sites e Aplicações Web e Empreendedor na Agência Digital WebCódigo. Graduado em Sistemas de Informação e pós-graduado em Banco de dados e Gestão de Projetos. contato@webcodigo.com
Encíclica do papa sobre IA mostra necessidade de aprender a utilizá-la de maneira ética
Especialista no assunto, professor Lacier Dias ccomenta documento dedicado integralmente aos impactos da inteligência artificial na sociedade, seja nas relações familiares ou de trabalho

FOTO: Vatican News
O avanço da inteligência artificial, seu impacto na sociedade e as reflexões éticas que surgem deste debate ganharam um novo e importante capítulo com a publicação da Encíclica “Magnifica Humanitas” (“Magnífica Humanidade”), a primeira do Papa Leão XVI. O documento é dedicado integralmente aos impactos da inteligência artificial na sociedade, propõe uma reflexão ética sobre o avanço tecnológico e alerta para os riscos da substituição das relações humanas por sistemas automatizados, defendendo que a inovação digital esteja subordinada à dignidade da pessoa humana.
“Quando o papa se debruça sobre um assunto é porque, de fato, já está acontecendo uma revolução, um impacto profundo na sociedade, que merece um debate mais aprofundado, uma reflexão mais madura”, afirma o professor Lacier Dias, empresário, especialista em estratégia, tecnologia e transformação digital, doutorando pela Fundação Dom Cabral e fundador e CEO da B4Data. É que a nova encíclica foi inspirada na histórica “Rerum Novarum”, publicada pelo então papa Leão XIII em 1891 durante a Revolução Industrial.
No caso do novo documento, a “Magnifica Humanitas”, estabelece um paralelo entre os desafios trabalhistas do século XIX e os efeitos contemporâneos da automação e da inteligência artificial no mercado de trabalho, considerado por Lacier praticamente irreversíveis. O documento foi assinado em 15 de maio, data que marcou os 135 anos da encíclica social considerada um marco da doutrina social da Igreja.
Entre os principais pontos já divulgados, Leão XIV defende a criação de mecanismos internacionais de regulação para a inteligência artificial e critica a concentração de poder tecnológico nas mãos de grandes empresas privadas. “O papa afirma que a IA não pode ser guiada exclusivamente por interesses econômicos e adverte para os riscos da vigilância digital, da manipulação de informações e do aumento das desigualdades sociais”, explica o professor.
Família
A encíclica também aborda os impactos da tecnologia nas relações humanas e familiares. Em mensagens recentes retomadas pelo documento, o pontífice alertou para o “eclipse do sentido humano” provocado por algoritmos e plataformas digitais que substituem vínculos reais por interações artificiais. Segundo Leão XIV, o uso indiscriminado da IA pode enfraquecer o pensamento crítico, ampliar a polarização e comprometer a autenticidade da comunicação humana. “Essa é uma preocupação que se tem e que se deve ter a cada novidade tecnológica”, avalia Lacier.
Mercado de trabalho
Outro eixo central do texto é o mundo do trabalho. O papa reconhece que a inteligência artificial pode aumentar a produtividade e reduzir tarefas perigosas, mas alerta para o risco de desemprego em massa e precarização laboral caso a tecnologia seja usada apenas para maximizar lucros. O documento pede políticas públicas de proteção aos trabalhadores e reforça a necessidade de preservar a centralidade da pessoa humana nas relações econômicas. “É um pouco do que sempre digo: a IA nunca substituirá a pessoa humana, mas é justamente por isso que gestores e líderes das empresas precisam treinar suas equipes para aproveitar o máximo que a inteligência artificial tem a oferecer.”
O tema do documento do papa Leão XIV, segundo o especialista, não apenas traz a inteligência artificial para o centro de um debate ético e moral no mundo, como, também, mostra que a IA é um caminho sem volta. “Ao discutir a ética digital e a regulação tecnológica, a Igreja Católica reconhece que a IA está impactando o universo das relações humanas, sejam familiares ou no trabalho, reforçando a importância não de combatê-la, mas de aprender a utilizá-la em favor do próprio ser humano”, comenta Lacier Dias.

Professor Lacier Dias
Facebook
Twitter
Google+
YouTube